Olá gente...
Mais uma vez passando por aqui, para compartilhar mais um pouquinho da minha história.
Hoje decidi contar o inico de tudo... Confesso que queria muito saber mais detalhes desse período, mas infelizmente a única pessoa que poderia compartilhar esses momentos não está mais aqui, essa maravilhosa pessoa é minha mãe, que com certeza, foi e sempre será a pessoa que me apoio e lutou para que eu realizasse todas as cirúrgias e acompanhamentos necessários, para uma criança com Fissura Lábio-palatina.
Vamos lá?
Nasci com seis mêses e na época minha mãe não sabia que teria uma criança diferente. Ter nascido com fissura lábio -palatina, foi um susto para minha família, mas isso não foi impedimento, para que eu iniciasse logo o meu tratamento.
Fiz a minha primeira cirúrgia aos seis mêses de idade que foi fechar a fissura do lábio e depois realizei a cirúrgia do palato. Minha mãe sempre disse que era muito delicado o processo de alimentação e que nos primeiros dias ela tinha medo de me alimentar e me machucar. Acredito que isso é algo normal entre as mães, até mesmo por ser a primeira filha e pelo cuidado para com uma criança recém nascida, além claro das limitações.
Assim que iniciei as cirúrgias, minha mãe foi convidada a continuar o tratamento no Centrinho, em São Paulo, até porque era o hospital referência nesse tratamento, diante das inúmeras dificuldades de ida até a Capital, minha família optou em realizar todos os procedimentos em Belo Horizonte, no Hospital da Baleia. Na época não havia um setor especifico para esse tratamento, lembro das várias vezes em que tivemos que dormir no sereno, para conseguir uma consulta médica.
É não foi uma época fácil...
Quando maior, necessitei usar aparelho auditivo, devido a uma perda no ouvido esquerdo. Não vou dizer que era um aparelho, na verdade era um tubinho que no decorrer do tempo ele sairia sozinho do meu ouvido. Essa cirúrgia foi a primeira que me lembro de ter feito, devia ter uns cinco anos, mas nem doeu nada.
Nesse período já estava realizando acompanhamento com o Fonoaudióloga e com a Psicóloga. Tratamento esse que me ajudou muito a passar por tudo. Fiz esses acompanhamento até os dez anos idade, quando minha família optou em me dar alta, pois acreditava que estava ótima. Na verdade, evolui muito no tratamento, principalmente na fala, mas não estava perfeita, pois ainda era motivo de risadas dos meus colegas de escola.
Quantas vezes chorei por não entender, o por quê das crianças zombarem a minha voz... realmente eu não entedia.
Até que aos 15 anos de idade, ganhei um rádio e uma das funções desse rádio era gravar, daí fiquei muito empolgada, queria muito gravar a minha voz - Cantando; até porque adorava cantar.
Surge então uma das maiores tristeza na minha adolescência, saber que eu era fanha... ouvir a minha voz real foi um choque, não apenas pra mim, pois por incrivél que pareça, minha família também ficou chocada. Eu não entendia... Perguntei pra minha mãe o por quê dela nunca ter me falado que era fanha e ela com um estramamento igual ao meu disse... - " - Você não é fanha minha filha, consigo te entender perfeitamente..."
Não é louco isso?!!!!
Mas acabei entendendo que minha família havia acostumado com a minha voz e meu jeito de falar...
Agora eu teria que lhe dar com mais um fardo... Aff... era tudo dificil...
É realmente não foi fácil....
Nesse momento retomei o uso do aparelho ortodôntico, pois usei apenas quando criança, para a correção dos meus dentes. Lembro que fiquei uns 4 anos de aparelho, aquilo pra mim era horrivél, nossa... odiava aqueles ferrinhos... nem nem nem... por mais que soubesse que era para o meu bem!
Nesse período realizei a cirúrgia do enxerto osséo... hummm ... o melhor disso é que fiquei dias tomando sorvete ... kkk. Mas doeu... Esse procedimento teve que ser realizado para tampar a fenda que ainda existia no lado interno dos lábios. Era algo que me prejudiva muito, pois tudo o que tomava vazava pelo nariz... Ainda mais Coca Cola, era terrivél, incomodava muito, sem tirar que encher balão era uma tarefa IMPOSSIVÉL...
Fiquei poucos dias em recuperação, o tempo de esperar desinchar. e logo logo poderia me sentir um pouco mais "igual"...
Nossa escrevi muito hoje...
Acabei empolgando gente...
Amanhã terá mais...
Bjs