segunda-feira, 17 de junho de 2013

Pequenos acontecimentos...

"Os que desprezam os pequenos acontecimentos dificilmente farão grandes descobertas. 
Pequenos momentos mudam grandes rotas.  
Se você quer escrever uma bela história de vida, 
não se esqueça de que os pequenos 
detalhes inauguram grandes capítulos."
Cury, O Mestre Inesquecível

sábado, 15 de junho de 2013

Olá gente...
Mais uma vez passando por aqui, para compartilhar mais um pouquinho da minha história.

Hoje decidi contar o inico de tudo... Confesso que queria muito saber mais detalhes desse período, mas infelizmente a única pessoa que poderia compartilhar esses momentos não está mais aqui, essa maravilhosa pessoa é minha mãe, que com certeza, foi e sempre será a pessoa que me apoio e lutou para que eu realizasse todas as cirúrgias e acompanhamentos necessários, para uma criança com Fissura Lábio-palatina.

Vamos lá?

Nasci com seis mêses e na época minha mãe não sabia que teria uma criança diferente. Ter nascido com fissura lábio -palatina, foi um susto para minha família, mas isso não foi impedimento, para que eu iniciasse logo o meu tratamento.
Fiz a minha primeira cirúrgia aos seis mêses de idade que foi fechar a fissura do lábio e depois realizei a cirúrgia do palato. Minha mãe sempre disse que era muito delicado o processo de alimentação e que nos primeiros dias ela tinha medo de me alimentar e me machucar. Acredito que isso é algo normal entre as mães, até mesmo por ser a primeira filha e pelo cuidado para com uma criança recém nascida, além claro das limitações.
Assim que iniciei as cirúrgias, minha mãe foi convidada a continuar o tratamento no Centrinho, em São Paulo, até porque era o hospital referência nesse tratamento, diante das inúmeras dificuldades de ida até a Capital, minha família optou em realizar todos os procedimentos em Belo Horizonte, no Hospital da Baleia. Na época não havia um setor especifico para esse tratamento, lembro das várias vezes em que tivemos que dormir no sereno, para conseguir uma consulta médica.
É não foi uma época fácil...
Quando maior, necessitei usar aparelho auditivo, devido a uma perda no ouvido esquerdo. Não vou dizer que era um aparelho, na verdade era um tubinho que no decorrer do tempo ele sairia sozinho do meu ouvido. Essa cirúrgia foi a primeira que me lembro de ter feito, devia ter uns cinco anos, mas nem doeu nada.
Nesse período já estava realizando acompanhamento com o Fonoaudióloga e com a Psicóloga. Tratamento esse que me ajudou muito a passar por tudo. Fiz esses acompanhamento até os dez anos idade, quando minha família optou em me dar alta, pois acreditava que estava ótima. Na verdade, evolui muito no tratamento, principalmente na fala, mas não estava perfeita, pois ainda era motivo de risadas dos meus colegas de escola. 
Quantas vezes chorei por não entender, o por quê das crianças zombarem a minha voz... realmente eu não entedia.
Até que aos 15 anos de idade, ganhei um rádio e uma das funções desse rádio era gravar, daí fiquei muito empolgada, queria muito gravar a minha voz - Cantando; até porque adorava cantar.
Surge então uma das maiores tristeza na minha adolescência, saber que eu era fanha... ouvir a minha voz real foi um choque, não apenas pra mim, pois por incrivél que pareça, minha família também ficou chocada. Eu não entendia... Perguntei pra minha mãe o por quê dela nunca ter me falado que era fanha e ela com um estramamento igual ao meu disse...  - " - Você não é fanha minha filha, consigo te entender perfeitamente..."
Não é louco isso?!!!!
Mas acabei entendendo que minha família havia acostumado com a minha voz e meu jeito de falar...
Agora eu teria que lhe dar com mais um fardo... Aff... era tudo dificil...
É realmente não foi fácil....
Nesse momento retomei o uso do aparelho ortodôntico, pois usei apenas quando criança, para a correção dos meus dentes. Lembro que fiquei uns 4 anos de aparelho, aquilo pra mim era horrivél, nossa... odiava aqueles ferrinhos... nem nem nem... por mais que soubesse que era para o meu bem!
Nesse período realizei a cirúrgia do enxerto osséo... hummm ... o melhor disso é que fiquei dias tomando sorvete ... kkk. Mas doeu... Esse procedimento teve que ser realizado para tampar a fenda que ainda existia no lado interno dos lábios. Era algo que me prejudiva muito, pois tudo o que tomava vazava pelo nariz... Ainda mais Coca Cola, era terrivél, incomodava muito, sem tirar que encher balão era uma tarefa IMPOSSIVÉL...
Fiquei poucos dias em recuperação, o tempo de esperar desinchar. e logo logo poderia me sentir um pouco mais "igual"... 
Nossa escrevi muito hoje...

Acabei empolgando gente...

Amanhã terá mais...

Bjs

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Esse mundo realmente é muito complicado.
Me pergunto, como viver diante de tantos preconceitos. A pessoa por ser magra é "feia", por ser gorda, também sofre, por ser negra passar por racismo, por ser branca também... não é louco isso?
Fico imaginando, se fossemos todos iguais? Hummmm.... não daria certo, o igual é sem graça, meio água com açúcar, mas o diferente as vezes complica!!!
Durante minha trajetória percebi como o ser humano tem dificuldades de lidar com o diferente. E me pergunto por quê? O diferente atrai olhares, provoca questionamentos e mistérios. Saber que existe algo no outro, no qual aponte uma falha acaba tamponando as minhas própria dificuldades.
Lembro-me que um dos momentos mais delicados na minha trajetória, foi o périodo escolar. Nosssaaaaaaaa, fala sério? Ás vezes até me questionava, " - Será que darei conta, de tantas brincadeiras"?
Foram inúmeras vezes em que minha mãe compareceu a escola, a fim de tentar amenizar várias situações vividas, pelos menos colegas de classe.
Nunca precisei mudar de escola, de sala, por causa disso. Por mais que fosse delicado, acabava encarando a realidade. Ás vezes até mesmo sublimava algumas brincadeiras.


As crianças riam do meu nariz e do jeito que falava, faziam várias chacotas. Não vou dizer que foi fácil esse período, pois ser diferente quando se é criança e adolescente torna-se algo insustentável.

Lembro-me que durante o período pré-escolar e no Ensino Fundamental, tinha um colega de classe que também era fissurado e o fato de ter alguém tão próximo de mim e igual a mim me causava um estranhamento que não sabia nomear, essa situação me incomodava muito. Não entedia e tinha vergonha. Nunca conversei com ele, mas sabia que não estava sozinha nesta luta. Sofríamos as mesmas situações, suportávamos as mesmas piadas, tínhamos os mesmos dedos apontados, mas nunca nos encontramos.


Ser criança e vivenciar essas situações, realmente não foi fácil. Mas com o apoio da família, a gente se sente  mais protegido e amado. Ás vezes parecia até mesmo que estava em outro mundo, quando chegava em casa. Como dizem a velha frase: " - o colo de mãe é muito bom e não há nada melhor do que a casa da gente!!!"

Em casa, era normal... não me via diferente... era a filha mais velha que adorava brincar e maquear as bonecas. Mas na escola? eu era há difente, o motivo de chacotas, aff... Tudo bem, de certa forma eu até tentava enteder, afnal de contas, realmente era diferente.

Mas nesse período, eu era apenas uma criança e com poucos questionamentos e preocupações...

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Início de uma grande caminhada... Minha história!!!

"Escrever é bem diferente de narrar... 
Lembrar detalhes tão preciosos sobre minha vida e tudo o que consegui vencer durante esses anos. Preconceito por ser diferente foi pouco.
Hoje sei a importância do apoio da minha família nesse período tão precioso e delicado que é a infância e a adolescência de uma pessoa que nasceu diferente. 


Lembrar minha mãe dizendo: "- Se te perguntarem porque seu nariz é difente, fale que você caiu do berço quando era bebê"... (isso não tem preço). Sei que essa foi uma forma de me protejer desse mundão.
E hoje ver o resultado de tudo o que passei percebo que valeu a pena... Todas as lágrimas, as dores, as risadas, chacotas não me derrubaram, pelo contrário me deram forças para continuar a luta.
Atualmente récem operada, ainda estou nos processos. Mas muito feliz... por ser quem eu sou."


A partir de agora, te convido para entrar um pouco na minha história e me acompanhar nessa nova jornada. 

Espero que através desse blog, possa compartilhar um pouco da minha experiência, como uma pessoa que nasceu com fissura lábio-palatal e lutou nesse mundo tão preconceituoso e que ainda tem dificuldade de lidar com o diferente. 

Seja bem vindos!!!!